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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

"Presentear, significar, educar..."


Chegamos ao fim de mais um ano e a grande maioria de nós está às voltas com festas, presentes, viagens. Muitos adoram essas datas, outros nem tanto...

Contudo, apesar da festa e da euforia, vale lembrar que presentear é também uma forma de transmitir valores e, consequentemente, educar. Além de um ato de amor e generosidade, educar é um exercício de reflexão permanente, porque nos coloca em situações que nos permitem fazer escolhas.

Para começar, é fundamental que possamos refletir sobre os valores sociais nos quais estamos inseridos. Como são poderosos e persuasivos esses valores!

Tão persuasivos que uma criança pode desistir de um sonho em troca de algo bem menos encantador, por conta de seu valor monetário.

Do ponto de vista financeiro, muita coisa boa vira lixo e acaba desprezada e esquecida. Nesse caso, a valorização de um presente pelo seu custo, desqualifica o valor afetivo que ele possa ter. Pena que seja assim...

Não serão poucas as situações nas quais nos sentiremos confusos, cheios de dúvidas, no trato com os filhos, sejam múltiplos ou não. Entretanto, filhos múltiplos nos levam a viver conflitos mais cedo, porque é necessário lidar com cada um e com a relação que desenvolvem entre si desde o primeiro dia de suas vidas. Ciúmes, disputas, dependências mútuas são comuns entre eles e podem se evidenciar em situações concretas, como por exemplo, na questão da escolha dos presentes.

Sem dúvida, presentear é uma delícia! Ver os olhinhos de nossos filhos brilharem diante dos presentes de Natal é ainda melhor.

Muitos pais se preocupam em ser justos com todos os filhos nessas situações, e essa é uma preocupação legítima e saudável.

A justiça, por sua vez, pode ser medida de acordo com os valores que atribuímos às coisas.
Embora pareça mais justo equiparar o valor de um presente pelo preço de mercado, nem sempre é esse o critério que precisa ser adotado. Existem outros, mais sutis e menos fáceis de detectar, que também ajudam muito no momento da escolha de um presente, como por exemplo, o que vai mais de encontro a um talento, ou aquele que satisfaz uma tendência. Ou seja, mais uma vez nos deparamos com a idéia de que o olhar para as singularidades é fundamental, como ferramenta de aproximação e compreensão das necessidades de cada um de nossos filhos.

Talvez um filho queira, com muita vontade e paixão, ganhar um belo estojo cheio de lápis coloridos, enquanto o outro filho deseja uma impressora para imprimir seus desenhos no power point. Por que não satisfazê-los? Por que a impressora deve ser, necessariamente, mais valiosa do que o estojo?

Alguns pais preferem dar presentes iguais para todos os filhos. Essa pode ser uma opção, principalmente quando se trata de um tipo de objeto mais difícil de compartilhar, ou ainda, quando os filhos são muito pequenos para escolher e dividir os brinquedos. Em uma fase mais precoce de desenvolvimento, as crianças tendem a brincar de modo isolado e, por isso, um único brinquedo pode provocar disputas e desgastes desnecessários. Entretanto, com alguns presentes, essa atitude pode representar um excesso e, de certa forma, levar ao disperdício.

Por exemplo: se um mesmo livro é um desejo de todos os irmãos, não há porque comprar um para cada. Esse é um presente que, até por coerência, deve ser dado para uso comum. Nesse caso, que tal pensar em títulos diferentes, se a leitura for realmente importante para eles? Ou ainda, além do livro, escolher um brinquedo que todos possam brincar juntos, caso já estejam em uma fase em que seja possível compartilhar?

Cada família encontrará a sua forma de lidar com a questão, mas, como podemos perceber, algumas situações exigem paciência, reflexão e disponibilidade para diálogos e negociações.
Na verdade, acreditamos que tudo isso depende de diferentes fatores, tais como: a fase de vida das crianças, os acordos estabelecidos com os filhos e, especialmente, os valores que regem cada uma das famílias.

De qualquer maneira, olhar para as particularidades de cada filho, e de cada situação na hora de presentear, continua sendo uma boa opção na busca de soluções para os conflitos que surgem.

A construção de uma relação de afeto e proximidade, que privilegie o delicado e o sutil, pode representar meio caminho andado. Ou seja, uma vez estabelecida essa condição de confiança, entre pais e filhos, todos se sentirão verdadeiramente presenteados.

(Revista Crescer, dezembro de 2010)

Feliz Natal a todos!!!

2 comentários:

  1. Adorei o texto miga! La em casa não levamos mto em consideração o valor material... e como eles tem bastante diferença de idade os presentes são bem diferentes ... não tenho mto problema com isso... claro que rola ciúme mais da parte da Camila que ja entende melhor, se o presente do irmão foi mais caro ela reclama... rs normal né?

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  2. Nossa eu to trabalhando uma pisicologia forte aki em casa desde novembro srrs..so vai ganhar presente se o Papai Noel axar que ela merece..já escolheu mil coisas, mas eu disse tem k ver akele brinquedo que o Noel axar k tu merece..rsrs
    Aff vamos ver até quando ela vai acreditar em mim!!!
    Mas com mais filhos deve ser mais complicado mesmo!
    beijososs

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