
O jeito certoUm estudo do Centro de Referência Estadual em Bancos de Leite Humano do Piauí, apresentado em um congresso de bancos de leite em Brasília, mostrou que muitas mulheres têm dificuldades na hora de amamentar.
A pesquisa avaliou 1.800 mulheres que deram à luz entre fevereiro e março deste ano. Do total, 435, ou seja, 24%, apresentaram algum problema no aleitamento, sendo os mais comuns as mamas cheias demais, baixa produção de leite, fissura no bico do seio e dificuldade no posicionamento do bebê.
De acordo com Márcia Maria Benevenuto de Oliveira, coordenadora do Banco de Leite do Hospital Universitário de Londrina, as dificuldades são decorrentes do histórico da amamentação. Ela conta que de 1900 a 1970, houve um apelo comercial muito forte em cima do leite em pó, o que fez com que muitas mães, até aconselhadas por profissionais de saúde, trocassem o peito pela mamadeira. Essa ação, segundo Márcia, provocou um aumento da mortalidade infantil, o que forçou os profissionais da área a trabalharem o resgate da prática do aleitamento materno. "Mudar um paradigma é o mais difícil. E junte a isso o fato de hoje vivermos em um mundo em que o conceito da estética é muito forte. Muitas mulheres ainda têm receio de amamentar por acreditar que a mama vai ficar flácida, o que não é verdade", diz.
A coordenadora afirma que outro problema bastante comum é a falta de apoio de profissionais e da família. "Nenhuma criança nasce sabendo mamar. Ela precisa abocanhar a auréola corretamente, estar acordada e com fome. Tudo isso interfere na amamentação, e nós, da área da saúde, estamos aqui para orientar a mãe que passa por essas dificuldades". Algumas condições socioambientais também podem ajudar ou atrapalhar o ato de alimentar o bebê. "O que acontece bastante é uma mulher que vem de uma família em que a mãe e a avó não amamentaram e, por isso, ela coloca na cabeça que também não conseguirá, o que está totalmente errado", diz.
Márcia argumenta que, ao contrário do que muitas mães pensam, não existe leite fraco. O que acontece é a sua rápida digestão, uma vantagem para o bebê, porém, as mães mal-informadas vêem isso como algo negativo, já que, por esse motivo, a cada duas ou três horas a criança sente fome novamente. "É aí que elas optam pelo leite de vaca, que demora até quatro horas para ser digerido pelo organismo do bebê", explica. Quanto à baixa produtividade do leite, Márcia afirma que pode acontecer, principalmente em duas situações: quando o bebê usa chupeta e quando ele não suga a cada duas ou três horas. Em relação às dores e fissuras, ela explica que em 90% dos casos é consequência de uma pegada errada.
"Amamentar é importantíssimo tanto para o bebê quanto para a mãe, mas não é fácil. No entanto, apesar das dificuldades, hoje, a grande maioria das mulheres tem esse desejo. O Brasil tem trabalhado muito para estimular o resgate dessa prática, e acredito que estamos conseguindo", diz.
Preparação é fundamentalApesar da pouca idade, Jéssika Verônica da Silva, de 18 anos, já passou por uma das experiências mais marcantes para uma mulher: ser mãe. E no quesito amamentação está fazendo um ótimo trabalho. "Quando minha filha nasceu, começou a mamar já na sala de parto. No início senti uma certa sensibilidade, mas logo passou", conta a mãe da pequena Ana Beatriz, de dois meses.
A estudante explica que é comum a mulher ficar insegura na primeira mamada do bebê, mas o apoio e a orientação da família, que deve começar antes mesmo do nascimento, é essencial para que tudo corra bem. "Como minha mãe é enfermeira, ela sempre me alertou em relação à importância do leite materno. Acho que isso me ajudou muito. Hoje, até doo leite e aconselho as mães fazerem isso também. É o alimento mais importante para o bebê", diz.
Dicas preciosas para mulheres de peito> Após o banho, enxugar bem os mamilos e auréolas com toalha macia. Umidade deixa a pele mais sensível, e menos resistente à sucção do bebê.
> Tome banho de sol todos os dias, por 20 a 30 minutos, deixando que os raios incidam diretamente nos seios nus. Lembre-se de fazer isso nos horários em que o sol não causa danos: até as 10 horas ou no final da tarde.
> Na falta de local para tomar sol, substitua pela exposição diante de uma lâmpada incandescente de 40 watts, ficando a uma distância de 30 a 40 centímetros. Tempo: de 20 a 30 minutos, de uma a duas vezes ao dia.
> Evite o uso de cremes e pomadas no bico do seio, e também de absorventes ou lencinhos, utilizados para evitar vazamento de colostro ou leite na roupa. Isso só agrava a sensibilidade, por deixar a região úmida. Prefira trocar o sutiã.
> Deixe a região bem arejada. A dica é pegar um sutiã velho, cortar dois círculos que correspondam às aréolas, para que fiquem ventiladas, secas e para que o atrito com a roupa engrosse a área aos poucos.
> Atenção à “pega”: como o depósito de leite fica armazenado sob a aréola, é importante que o bebê abocanhe toda a região, não apenas o bico.
> A posição correta: o queixo do bebê deve ficar bem encostado à mama da mãe, e ambos precisam estar juntos, “barriga com barriga”.
> Evite puxar o bebê do peito, pois a tendência é que ele abocanhe com mais força. Para que ele solte o seio sem machucar, introduza o dedo mínimo no cantinho de sua boca.
Os 13 principais mitos sobre amamentação:Por Andrea Luna
Desde a concepção, a futura mamãe ouve um monte de dicas e conselhos que são difíceis de distinguir entre realidade e mito.
“No início da gestação, toda mulher deveria passar por um programa educativo sobre o aleitamento. E assim entender a importância do leite materno para a criança, como é produzido no organismo e como funciona a glândula mamária. Num segundo momento, no final da gestação, ela deveria aprender a técnica certa de como amamentar o filho e os eventuais problemas que possam surgir, assim como a prevenção dos mesmos, como é o caso das rachaduras ou do leite empedrado”, recomenda Maria Antonieta de Barros Leite Carvalhaes, professora de nutrição materno-infantil da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
E como conselho não aumenta a produção de leite, esclareça a seguir suas dúvidas sobre o assunto e fique tranqüila na hora de alimentar o seu filhote. Confira também uma técnica que ajuda o leite fluir facilmente.
1) Antes mesmo do nenê nascer a mulher já produz leite.
Verdade.
Na metade da gravidez, a secreção do colostro (primeiro alimento produzido pela mama) é visível. Isso acontece porque já ocorre a síntese de proteína e de gordura, mas em menor proporção. Após a expulsão da placenta e a diminuição dos hormônios esteróides, essa síntese é total. “A formação do leite acontece devido ao estímulo da glândula mamária, que age no hormônio prolactina, gerando a produção do alimento em maior quantidade”, completa Regina Aparecida Andrade, responsável pelo Grupo de Apoio ao Aleitamento do Hospital e Maternidade Albert Einstein, em São Paulo.
2) Apesar de parecer ralo, o colostro é importante para o bebê.
Verdade.
Mesmo sendo uma secreção viscosa e até rala, o colostro tem grande concentração de imunoglobulinas, elementos que protegem o recém-nascido contra microorganismos presentes no canal do parto, além de sais minerais e vitaminas. Além disso, ele fornece todos os nutrientes e anticorpos necessários para o bebê se manter saudável e se desenvolver normalmente.
3) Há mulheres que não têm leite.
Falso.
Toda mulher é potencialmente capaz de produzir leite em quantidade e qualidade suficientes para suprir as necessidades do seu bebê. Porém, existem mães que, eventualmente, podem sofrer alterações nessa capacidade, devido a fatores externos ou mesmo interno. “Algumas cirurgias na mama podem interferir na produção ou na saída do leite, assim como alguns distúrbios hormonais também podem interferir”, esclarece Marcia Regina da Silva, responsável pelo Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno, o GAAM, do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo.
4) Algumas mães produzem leite fraco.
Falso.
Não existe leite fraco. Algumas mulheres confundem a integridade do leite com sua coloração, às vezes mais clara e com aspecto aguado, geralmente, no início de cada mamada. “Este é o leite denominado anterior, rico em proteínas, glicose, sais minerais e vitaminas. Já o leite do final da mamada é mais denso, com micelas de gordura. Daí a confusão. Porém, ambos são riquíssimos e importantes para o bebê”, explica Regina Andrade. O bebê deve ser amamentado de acordo com as necessidades dele, sem tempo determinado. Cabe à mãe analisar o estado da mama e fazer o rodízio.
5) Beber água é essencial para garantir o alimento.
Verdade.
A ingestão de líquidos em geral é um dos fatores mais importantes para manter a mulher hidratada e repor a reserva do organismo, que é usada na produção do leite. Beba pelo menos 2 litros por dia.
6) Cerveja preta deve ser incluída na dieta da mulher que amamenta.
Falso.
Além de ter efeito calmante e ser calórica, a cerveja preta traz álcool em sua composição, substância prejudicial ao bebê, já que é absorvida pelo organismo da mãe e passa para o leite. Por isso, nada de sair tomando todas com esse pretexto! “E se alguém oferecer, recuse. Diga que foi instruída pelo seu médico a não consumir esse tipo de alimento, pois pode fazer mal ao seu filho”, aconselha Maria Antonieta.
7) Comer canjica ajuda a aumentar a quantidade de leite.
Falso.
Não existem estudos científicos que comprovem esta relação. E saiba que a canjica é rica em calorias, o que pode ser motivo para ganhar quilinhos a mais. Lembre-se que a alimentação durante o período de amamentação deve ser equilibrada, com a ingestão de muita proteína, para manter a adequada produção de leite.
Cool A pegada do bebê influencia na quantidade do alimento.
Verdade.
Quanto melhor o bebê estiver posicionado ao corpo da mãe, realizando uma pegada correta, maior será o volume de leite produzido pela mulher. A pegada ideal é aquela em que a boca do pequeno cobre grande parte da aréola, com o lábio inferior voltado para fora, bochechas arredondadas e seguida de movimentos ampliados de abertura e fechamento da mandíbula.
9) É normal sentir dor durante os primeiros dias da amamentação.
Falso.
Se o bebê está realizando uma pegada correta na hora de mamar, a mãe pode sentir apenas uma sensação de “puxão” no mamilo. Porém, se o bebê adormece com o mamilo na boca ou se a pegada estiver errada ele poderá gerar alguns traumas que causam dor e dificultam a drenagem do leite. “Em geral, as mamas ficam doloridas no início do processo de aleitamento até a mãe aprender a técnica correta, mas o ideal é que não haja dor”, alerta Marcia Regina, do Hospital e Maternidade São Luiz.
10) Na mulher que fez cesariana o leite demora mais a descer.
Falso.
Isso não está relacionado, necessariamente, ao tipo de parto. O que influencia na descida do leite materno é o contato do bebê com a mãe, bem como a primeira mamada, que deveria acontecer ainda na primeira hora de vida da criança.
11) Quem possui mamas pequenas produz menos leite
Falso.
O tamanho das mamas não tem relação alguma com a quantidade de leite produzido pela mãe.
12) O leite materno só é bom para o bebê até os seis meses de vida.
Falso.
A recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é alimentar o bebê até os seis meses exclusivamente com leite materno. Porém, após esse período, recomenda-se inserir outros alimentos na dieta da criança, mas ainda manter algumas mamadas (pela manhã e noite) até os dois anos de idade.
13) Amamentar provoca a flacidez dos seios.
Falso.
Pesquisa divulgada pela Universidade do Kentucky, nos Estados Unidos, provou justamente o contrário. Segundo os pesquisadores, entre os principais fatores causadores da flacidez estão a idade, o número de gestações e o cigarro. “O fumo quebra uma proteína da pele chamada elastina, que dá à pele uma aparência jovem e flexível e também apoio aos seios”, diz o cirurgião plástico Brian Rinker, autor do estudo. Assim, é correto afirmar que a gravidez só provoca o aumento das mamas.
Fonte: Revista Meu Nenê
Eu amamentei meus dois filhos por quase 1 ano, Gabriel eu achei que estava na hora de parar de tanto ouvir conselhos dos outros falando que depois de 1 ano a criança fica "sem vergonha" e ia querer ficar mamando toda hora e tal...Como eu era desenformada quanto ao assunto eu acabei parando de dar mama pra ele antes de 1 ano, mas ele nem mamava muito, ja estava num rítmo bem devagar.
Pedro não quis mais mamar, mamou até os 11 meses, eu insistia tanto pra ele não parar, mas não teve jeito, minha vontade era amamentá-lo até uns 2 aninhos!
Rafaela eu pretendo deixá-la mamar até quando ela quiser...tomara que ela queira mamar muito, rs!
Meus seios racharam nas duas vezes, talvez pq não houve a "pega certa", e eu durante a gravidez passava hidratante nos bicos tbm, não sabia que não podia, que a pele fica fina e ajuda a partir depois, dessa vez estou tomando os devidos cuidados pra ver se evito rachaduras!
EU AMO AMAMENTAR!