
SOCORRO
Quem não gosta de receber sorrisos de desconhecidos na rua o tempo todo, nem de ser alvo de delicadezas inesperadas, não pode engravidar. Grávidas atraem essas coisas! E isso acontece por que a barriga chega primeiro que a grávida, então as pessoas veem (agora não tem mais acento, né?) a barriga primeiro, entendeu? Sim, estão sorrindo para a barriga, não para a grávida. É mais fácil entender o que acontece se a gente pensar na vida depois do nascimento do bebê. O carrinho vai na frente, então as pessoas vão olhar lá dentro e sorrir para o bebê. Vai parecer que estão sorrindo para o carrinho. É a mesma coisa agora. Estão sorrindo para o bebê. É que essa gente toda veio de Krypton (planeta natal do Superman) e tem visão de raio-x. Eles veem o bebê sorrindo dentro da barriga e devolvem o gracejo. Bom, é só uma teoria que eu desenvolvi recentemente.
Well… de volta às vacas magras, ou melhor, às ogras grávidas. Um dia G entrou no reduto das profissionais do ramo quando o assunto é irritar uma grávida: uma loja de artigos para gestantes e bebês.
“Tenho medo dessas vendedoras, elas são de outro planeta! Vão me abduzir! Elas são tão melosas que chegam a enjoar a gente, credo!”, já pensou G, logo de cara, ao ser bombardeada com o questionário básico:
- Está de quantos meses?
- É menino ou menina?
- Já escolheu o nome?
Ela respondeu a todas as perguntas com até considerável paciência, meio que acuada pela revoada de frufruzinhas (não sei bem o que é isso, foi o termo que M usou para descrever as melosas vendedoras).
E então veio a fatídica:
- PARTO NORMAL OU CESARIANA?
Por inexperiência, ingenuidade, ou simplesmente por que seu lado Rambo estava louco pra entrar numa briga, ela caiu na cilada e acendeu a polêmica ao responder ( secamente, como era praxe no seu jeito ogro de ser):
- Vou fazer cesária.
Claro que ela ouviu imediatamente um:
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhh, não! Parto normal é muito melhor porque blablablablablabla…
- Sim, sim, eu entendo, mas eu vou fazer cesária - respondeu. Seca, direta, objetiva, ameaçadora, mas ainda com algum nível de paciência e educação (adjetivos raros quando se trata de G, talvez a gravidez tenha deixado essa mulher mais doce, mais suave..quem sabe. Ok, impossível, gravidez não faz milagre.)
Sem saber o perigo que corria, a insistente vendedora continuou seu discurso:
- Mas o parto normal é melhor porque blablablablabla…
- OK. – G respirou profundamente. Mas eu vou fazer cesária.
- Mas como pode? O parto normal blablablablabla
Palavras de G: “Respondi educadamente SETE VEZES que eu preferia a cesariana. Quando a mala insistiu pela oitava vez na história do parto normal, eu virei pra ela e gritei:
- PORRA, A BUC&@#$#$%$%@ É MINHA, CAR@#%#$%# “.
Em seguida, diante de vendedoras e clientes perplexos, G virou e foi embora. Sem comprar nada. Se ela tivesse ficado por lá, aposto que teria ouvido uma vozinha delicada e melosa justificar o ataque de indelicadeza daquela grávida estranha, meio “macha” mesmo: “Devem ser os hormônios, tadinha”. Afinal, todo bom vendedor sabe que o cliente tem sempre razão!
(Autor(a) desconhecido)
Nenhum comentário:
Postar um comentário